terça-feira, 30 de julho de 2013

Os Olhos Sem Rosto

Neste esquecido filme de Georges Franju - um dos fundadores da Cinemateca Francesa - vemos uma curiosa mistura de forma e estilos. Um filme de horror(sem uma gota de sangue, diga-se), com uma atmosfera de fábula e filmado de maneira clássica, rigorosa.



Após um acidente de carro que desfigurou a face de sua querida filha, um cientista(doido, claro) procura desenvolver uma técnica inovadora de reconstrução facial. Dá palestras sobre o tema e é referência no assunto. O ano é 1959, logo, a conotação da coisa toda é de ficção científica. Enquanto isso, sua fiel assistente procura moças ingênuas de pele e olhos claros pelas ruas. Todas servirão para o propósito do cientista - usar seus tecidos para reconstruir o rosto de sua filha - o que ocasiona na morte das moças.

A filha, aliás, vive enclausurada num quarto, usando uma bela e sinistra máscara de boneca, que salienta os expressivos olhos intactos sem face.






Como dizia no início, o grande trunfo do filme é sua condução. Todo esse enredo absurdo é levado num tom de fábula: a princesa melancólica trancada em seu quarto e sua máscara, procurando liberdade e identidade; a governanta de fidelidade canina ao senhor; o pai cientista, pronto para passar por cima de qualquer escrúpulo ou princípio ético para concluir sua maior obra.

É um filme de horror notável, que expôe, através de toda essa camada, as falhas e crueldades humanas. A cena final é magistral. Sinistra e libertadora.









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